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A fotografia do Mestre
Confesso que sou um pouco herege relativamente a alguns "hábitos" correntes nas artes marciais. Um desses hábitos é a presença duma fotografia do mestre fundador da arte marcial em local nobre.

Esse local é o tokonoma/kamiza, ali bem na frente de todos os praticantes. A fotografia é, por norma, de meio corpo, com pose clássica e de dimensões consideráveis.

No meu dojo (mais concretamente no espaço correspondente ao tatami) existem três fotografias numa parede lateral ao tokonoma. Têm todas o mesmo tamanho: cerca de 30x20cm. Uma delas tem o mestre Ueshiba, já com idade bastante avançada, a projectar um praticante.

Por ser hábito, por questões de estética e ainda por razões que eu não sei explicar, no tokonoma do meu dojo lá está um kamiza (ou espécie de); lá estão as armas, também por questões práticas (jo, bokken e tanto); está lá a caligrafia de "Do" (e não de "Aikido"); está lá também um pequeno suporte de incenso; está ainda uma pedra disforme com pouco mais de um palmo, composta por duas partes que se complementam, com um fóssil de um búzio em positivo-negativo. A enquadrar isto estão dois troncos de oliveira.

É também por questões de estética e mais as outras que eu não sei explicar, que a fotografia do mestre Ueshiba está na parede do lado.
Participação de António Galrinho em: 03-07-2006
Respostas a esta Participação
Bolas! Apareceram umas palavras encriptadas! Devia ser “Dojo” e “Ju-jutsu”!

Não era o aspecto quantitativo que gostava de realçar nesta citação mas sim o aspecto qualitativo: dar mais importância ao “Espírito”.
Resposta de Marco Ferreira em: 14-07-2006
SHIN, GI e TAI com percentagens é que não!

Estes aspectos devem ser tidos em conta aquando na evolução de um praticante e quando este é sujeito a exame de graduação.

Contudo, devem ser exigidos de acordo com as características de cada um: sexo, idade, peso, experiência, tempo de prática...

Por exemplo, não se pode esperar que dois praticantes com 3 anos de prática, um com 20 anos de idade, outro com 60, ambos a fazer exame para cinto azul tenham um desempenho idêntico.

Do primeiro será de esperar um bom desempenho no aspecto TAI, mas fraco no SHIN; do segundo será de esperar um melhor desempenho no aspecto SHIN, já que no TAI terá mais limitações. Isto em média e em geral...

Percentagens pré-estabelecidas não fazem sentido. Depende também daquilo que se pratica, como se pratica e com que objectivo.
Resposta de António Galrinho em: 14-07-2006
Sempre me disseram que num evento social existiam 3 temas que nunca se deviam discutir: futebol, politica e religião. Sendo temas pantanosos, vou respeitar o aforismo, deixando contudo uma citação de um conhecido estudioso das artes marciais, acerca da temática espiritual que foi sobejamente discutida:

“Antigamente, era costume nas antigas escolas de Artes Marciais Japonesas ter-se quadros pendurados nas paredes do Dōjō com o conceito SHINGITAI inscrito.

Literalmente, SHINGITAI significa "Espírito, Técnica e Condicionamento físico".

Para as "escolas da guerra", como Samurai e Jū-jutsu, isto era muito importante e era dividido da seguinte maneira:

SHIN - "Espírito" - 50% do treino.
GI - "Técnica" - 30% do treino.
TAI - "Condicionamento físico" - 20% do treino.

O conceito por trás desta expressão era:
"Se um guerreiro tiver um "Espírito" forte, independentemente das circunstâncias do combate, das técnicas utilizadas ou da sua condição física no combate, este guerreiro sempre será forte."

(...) Nota 2: O problema no ensino de artes marciais hoje em dia é a habilitação do instrutor em ensinar o aspecto "espiritual" da arte ensinada...”
Resposta de Marco Ferreira em: 13-07-2006
Epá, agora é que está mesmo cansado. Nem duas linhas...só duas palavrinhas...
Resposta de Eduardo Tavares em: 13-07-2006
Vocês cansam-me...
Resposta de Miguel Sendim em: 12-07-2006
Voltando ao tema-chave...

Pessoalmente não me agrada fazer o tal "apagamento do ego" com a ajuda de uma saudação a uma fotografia. Eu gosto do meu ego como ele é, e gostava de o poder apagar apenas quando e naquilo que eu escolhesse.

Confesso que não consigo... :-)
Resposta de António Galrinho em: 12-07-2006
A questão do apagamento do ego pode ser vista de diversas maneiras. Não é necessariamente algo com efeitos benéficos para quem o "pratica" (se é que isto se pode dizer), assim como aqueles que se estão nas tintas para isso também não estão necessariamente a ver a coisa com a clareza e a imparcialidade desejáveis.

Conheço quem faça Zazen e outros tipos de meditação e tenha ficado por isso uma pessoa mais confiante, tolerante, aberta e saudável; assim como conheço outros que deviam procurar urgentemente ajuda psiquiátrica ou deixar a prática.

Isto é como fumar: a uns faz mal a outros não faz nada e a outros se calhar até faz bem. Comer meio melão pode ser uma coisa muito saudável para uns mas pode mandar um diabético para a cova. Sabemos que quem estiver com mais de 37º está com febre, e que isso pode indiciar uma doença com maior ou menor gravidade, mas os efeitos das práticas que fazemos não se podem universalizar por dizerem respeito a cada um.

Por isso é fácil abrir espaço ao campo fértil da especulação e com ele sentirmos o ego a inchar.

O apagamento do ego pode servir para levar uma pessoa à loucura e à alienação, mas também pode servir para coisas muito interessantes. Por exemplo, quando se faz uma técnica podermos ter a interessante experiência de sentir que o corpo faz, como que por si só, todo o trabalho, sem que haja uma intervenção do nosso lado racional, intencional.

Essa "autonomia" corporal é parte da tal "libertação" de que tenho falado. Isto não tem de ter, necessariamente, um lado místico ou esotérico da coisa. É uma questão de facto, experienciável. Algo idêntico é sentido pelos grandes músicos, cantores, bailarinos ou toureiros.

Mas, volto a repetir, esse tipo de experiência não é, de modo algum, tradição pelas bandas do ocidente porque: não há "escolas" que ensinem/incrementem esse tipo de vivências; não há uma filosofia nem uma prática que a sustentem; essas vivências são essencialmente pessoais e pontuais.

A este nível, as vivências e as opções de cada um devem ser respeitadas, quando sérias, quer concordemos com elas ou não.
Resposta de António Galrinho em: 12-07-2006
Sim, o problema é só mesmo o Miguel... Vem cá de vez em quando amandar umas bocas acerca do Ki e do Kami, mas quando se trata de escrever mais que duas linhas....

Ainda estamos à espera de um artigozinho em que ele se explique melhor, mas enfim, não sai nada...

Provavelmente, a compreensão destes assuntos é para ser feita de mestre a discípulo, via wireless.
Resposta de Eduardo Tavares em: 12-07-2006
Afinal sempre estivemos de acordo.
Resposta de António Galrinho em: 12-07-2006
Os ikkios e os nikios que se fizeram por cá na idade média não são mais do que truques de auto-defesa, tal como os que lá se fazem. O resto é aquilo que se queira dizer/imaginar/acreditar...

Podes estar a fazer um nikio a achar que estás a trabalhar o espírito e alguém ao teu lado estar a fazer nikios para passar o tempo... Para quem sofre a técnica, é o mesmo: uns acham que é aquilo que têm que sofrer para terem a oportunidade de fazerem o mesmo a alguém, outros estão a voluntariamente a oferecer o seu corpo divino no altar do apagamento do ego...
Resposta de Eduardo Tavares em: 12-07-2006
Eduardo

Perfeitamente de acordo. Mas repara que aquilo que escrevi não põe em oposição o ocidente com o oriente. A minha atitude aqui não é a de opor coisa nenhuma.

Os exemplos que deste são interessantes e em geral servem para reforçar aquilo que eu disse. As práticas religiosas que referiste, que envolvem um trabalho de postura estão restritos a um número mínimo de "praticantes", como tal, não fazem parte de uma tradição generalizada.

O trabalho no campo, que eu saiba, é apenas (e de que maneira!) trabalho de campo. Nunca soube de ninguém que procurasse ao cavar batatas ou regar o feijão-verde corrigir posturas e a respiração, que são os aspectos básicos a considerar quando num trabalho de corpo se pretende "ir mais além".

Quando digo "ir mais além" basta-me referir apenas alguns aspectos facilmentete observáveis: procurar ter um corpo mais saudável; procurar minimizar o efeito das dores e do cansaço; aplicar exercícios de compensação (de descontracção, p.e.); utilizar o trabalho do campo como método para um enriquecimento interior/espiritual. Por norma não é assim que acontece nem aconteceu, nem por cá, nem pelo oriente, que eu saiba (de forma generalizada e consciente, repito).

Pelo contrário, o que eu vejo quando vou ao campo são pessoas que a partir da meia idade estão com bicos de papagaio, artroses e contracções musculares crónicas. As mulheres procuram nas rezas e nas missas algum conforto e complemento daquilo que o dia-a-dia não lhes oferece (ou uma pitada da tal libertação); eles procuram no álcool e nas tabernas mais ou menos a mesma coisa. Pessoalmente não tenho nada a criticar, nem num caso nem noutro, até porque tanto entro num sítio como noutro.

Não há, por estas bandas, uma "tradição generalizada" (ou seja, não restrita a esta ou àquela pessoa, a esta ou àquela prática) de ligar/unir corpo-espírito tendo por trás uma base filosófica.

Não ficou claro que os ikkios e os nikios que se fizeram por cá na idade média sejam mais do que truques de auto-defesa. Mais não sendo do que isso, não são enquadráveis naquilo que está a ser aqui abordado.

Os sítios que indicas, tal como eu já havia alertado, são excepções à regra e referem-se a métodos surgidos já no séc. XX, não enquadráveis, pois, na tradição.


Concordo contigo noutros aspectos, menos na questão dos desodorizantes... é que a malta de Almeirim não sabe o que é isso.
Resposta de António Galrinho em: 12-07-2006
Miguel, por respeito e amizade, não ousaria entrar no campo da parvoíce, que considero ser uma tua coutada pessoal...

Aquilo que o António diz, é o que normalmente se diz acerca da diferença Ocidente/Oriente, naquilo que à relação com o corpo diz respeito. Embora genéricamente até possa concordar com o que ele diz, já não me parece que seja verdadeira a posição de fundo, isto é, que haja uma oposição real entre Ocidente/Oriente, nestas matérias.

Na verdade, aquilo que me parece é que estas pretensas oposições surgem apenas por se olhar para elas de uma forma apressada.
A este respeito lembrei-me do artigo que escrevi sobre as técnicas marciais europeias, e que tanto espantou a maior parte das pessoas. A verdade é que também por aqui já se fazia ikkyo, nikkyo etc...há muitos séculos.

As grandes linhas de fractura entre uma relação completa entre o corpo e o espírito não estão a meu ver na linha Ocidente/Oriente, mas antes na linha Mundo antigo,rural/Mundo moderno, citadino.

A diferença está mais em se utilizar o corpo regularmente, ou não...

Entre os japoneses ou chineses actuais, que vivem em cidades e trabalham à secretária, e os habitantes de Almeirim, não há diferença, senão nos desodorizantes que usam...

Por outro lado há uma tendência a desvalorizar as tradições ocidentais de relação com o corpo.

Por exemplo:

Nos conventos de algumas ordens religiosas medievais (beneditinos, franciscanos, por ex.), o conceito fundamental de vida e disciplina, era o "ora et labora". Ora e trabalha, e em que o "trabalha" era mesmo a sério... Se virem o horário normal da vida nesses conventos, logo vêem o que eu digo. Relativamente a isso há o aspecto interessante de as pessoas falarem do aspecto sado-masoquista desses religiosos, que se auto-puniam, etc... Curiosamente não se repara no aspecto sado-masoquista da maior parte das práticas orientais a que alegremente aderimos... Se for religioso e ocidental, é doentio, se for oriental é ascese...

Nas práticas religiosas do cristianismo ortodoxo, há exercícios muito interessantes, como seja a oração com prostação completa, em que a oração é acompanhada do movimento de ir ao chão, deitado, e depois voltar à vertical. É repetida à exaustão. E é igual à forma como os budistas no tibete fazem. Só que esses, são orientais, e têm a alma ligada ao corpo...

Em áreas um pouco menos ortodoxas, temos a tradição alquímica, provavelmente de origem egípcia, e que atravessou toda a história europeia, faz uso de técnicas de respiração e de alimentação, em tudo semelhantes a algumas formas de Yoga.

E ainda menos ortodoxa, a área da magia operativa, em que a respiração, a alimentação, os perfumes, os sons, enfim, tudo o que é físico e sensação, concorre, com o espírito, no trabalho mágico.

Estes eram exemplos de classes específicas. Quanto ao povo, as práticas do corpo eram aquelas que o malhar o trigo ou o arroz, ou cavar, permitiam. Exactamente como no oriente, em que apenas a alguns era dada a possibilidade de se irem "libertar"...

No entanto, podemos perfeitamente comparar aquilo que no Ocidente se fazia e faz em matéria de dança, quer popular e folclória, quer erudita, com aquilo que no oriente se fazia e faz. E não temos por cá coisas menos interessantes. Procurem por exemplo pela Tarantela, ou pelo Flamenco.

A partir do século XIX (precisamente à medida em que mais se urbanizavam as populações), foram aparecendo formas de trabalhar o corpo, que de alguma maneira tentavam colmatar a falta de agricultura...

Este são apenas alguns exemplos de métodos perfeitamente "Ocidentais" de abordar a pessoa de uma forma integral:

http://www.ati-net.com (Técnica Alexander)
http://www.eutonia.org.br (Eutonia de Gerda Alexander)
http://www.dalcroze.ch (Método Dalcroze)
http://www.hakomi.com (Método Hakomi)
http://www.wozny.org/mpfaqtoc.html (Feldenkrais)
http://www.antigymnastique.com (Anti-ginástica)
Resposta de Eduardo Tavares em: 12-07-2006
António,
Brilhante, brilhante, brilhante !!!
Vamos ver que parvoíces vai agora o Eduardo destilar, em resposta à tua participação...
Resposta de Miguel Sendim em: 12-07-2006
Há tantas coisas interessantes na(s) cultura(s) ocidental(is) com na(s) oriental(is). Assim como há tanta coisa tonta, capaz de iludir qualquer papaçvo, em ambos os lados.

O que interessa observar, independente de racismos culturais, é o caminho / sentido da vida que cada um procura. Não vejo problema algum em que se faça (como na "world music") uma fusão entre aspectos duma e doutra tradição.

Aparentemente, a diferença mais significativa entre as culturas orientais e as ocidentais parece-me ser a seguinte: no ocidente separa-se o corpo do espírito, a parte material de uma parte imaterial (onde reside o intelecto, as emoções, a fé, etc); na tradição oriental essa separação não é feita, corpo e espírito são uma e a mesma coisa.

No oriente encontramos práticas que envolvem o corpo e a mente sem "separatismos". Na cultura ocidental não encontramos esse tipo de práticas; julgo que o desporto não se enquadra aqui, mas será que se enquadram as autoflagelações praticadas por algumas seitas?

Ouvi alguém dizer: "Em mais de 2500 anos de cultura ocidental, pensou-se e escreveu-se muito. Tivemos excelentes filósofos, cientistas e pensadores, teólogos, etc. Mas nenhum deles (a não ser já no séc. XX e por influência do oriente) disse uma única frase sobre uma postura do corpo."

Não sei se isto é assim tão absoluto, até porque não li nem lerei tudo o que escreveu por cá sobre o assunto. Mas dá-me a impressão, de facto, que muito muito muito pouco se pensou e se disse sobre isso por estas bandas ao longo da história.

Essa tremenda falha faz com que, de forma mais ou menos consciente, conhecedora ou não das virtudes e dos perigos que se correm, os ocidentais procurem no oriente aquilo que a sua cultura não lhes dá.

Olho para essa falha (porque entendo, de facto, que se trata de uma falha) com alguma vergonha, confesso!
Resposta de António Galrinho em: 11-07-2006
Aline. Prometo que não te mando ir rezar...
Tudo o que dizes é razoável. Como razoável é as pessoas tentarem informar-se e saber coisas novas. O problema está na falta de rigor.

Eu, ao contrário daquilo que possa parecer, não sou católico praticante... No entanto acho lamentável a forma ligeira como se fala do cristianismo e das tradições espirituais ocidentais... que reputo de igualmente ou mais interessantes que as orientais.

Vendo aquilo que dizes sobre o respeito em relação a si próprio, e os animais, etc... Que diferença há entre as orientarices do costume (zen, budismo, etc...) e S. Francisco de Assis, no que a isso diz respeito?

Acho que o estado actual (com os cérebros perigosamente gelatinosos que andam por aí a derreter) é o resultado de uma profunda ignorância acerca de nós próprios, junto com uma vontade de aderir a coisas novas e de fácil venda, e sobretudo a coisas que não sejam incómodas...

Porque em todos essas coisas (Reiki, tarot, Aikido à la New Age, etc... e tal) se encontra um traço comum: dar às pessoas aquilo que elas querem ouvir...

Entretanto, vê lá mas é se vais estudar, que isto aqui é apenas uma forma que nós nos atazanarmos mutuamente (para não dizer pior...) e não é para se levar a sério (sobretudo, o que o Miguel diz...).
Resposta de Eduardo Tavares em: 11-07-2006
quer dizer... aiiiiii... continuo com a minha opinião... o modo como me exprimi é que nao foi o melhor... :S
Resposta de Aline FIlipe em: 11-07-2006
xissa li agora o que escrevi... sorrrrrrryyyyy

eu é que tou limitada de civismo e de horas de sono.... :P
Resposta de Aline FIlipe em: 11-07-2006
não estou a dizer que eles são perfeitos (porque de fcato não o são! ) mas ha coisas boas... entao porque nao explorá-las? eu tb desconheço TOTALMENTE (é o problema da escrita-.. o meu objectivo nao era ser agressiva mas salientar... isto nao tem bold nas opções nem italico)... a experiencia que tenho é pouca...

eu nao t queria abrir os olhos Eduardo... também os meus deverão estar fachados para muitas coisas. mas cabe a nós mudarmos se assim pretendemos... só acho que é mau negarmos coisas naa totalidade quando a propria visão de realidade e cientificidade está em plena mudança. não se sabe o que é espiritual e o material. Cabe-nos a nós tomar um ponto de situação. tu escolhest o teu! não te peço para começar a fazer reiki, nem para te sentares contra aparede porque é cool (:P..) mas para não falarem mal do que desconhecem... tenta ver o outro lado e a razão pela qual há pessoas que escolheram o que escolheram...

Abraços

ps. sorry.. isto de acordar cedo e ter exame nao dá com nada :S ai vida de estudante CUSSSSSSSTA!!! :D ehehe
Resposta de Aline FIlipe em: 11-07-2006
Aline, obrigado por me teres abrido os olhos.
Agora que sabemos que tivestes uma boa experiência com o reiki, já vamos mandar processar o Vaticano por ter escondido isso da maioria da população. Vamos também processar os chineses por não nos dizerem onde enterram os avós, por serem comunistas e por não serem acunpuncturistas a tempo inteiro.

Entre outras culpas que no inferno pagarei está concerteza a de não ter tomado em conta o grande princípio de investigação que tão admiravelmente indicastes:

"não neguem á partida algo que TOTALMENTE desconhecem! "

Mas eu, lamentável último representante do tempo em que as mulheres eram obrigadas a rezar Ave-Marias (Ai, tão bem que lhes fazia...), reconheço que não passo disto: o que eu nego é PRECISAMENTE aquilo que eu totalmente desconheço.... É uma mania...
Resposta de Eduardo Tavares em: 11-07-2006
esta conversa já foi Às urtigas....

não vos via tão "limtados"... não é dizer que algo é bom ou mau mas antes algo poderá ser melhor. :D eheheh

a cultura ocidental é sem duvida supressora do "eu" homem e mulher (especialmente com a EVA senhora e origem de todo o mal, a caixa de pandora em pessoa, bla bla bla). o suposto é ficarmos o resto da nossa vida a rezar 1001xxx aves marias e pai nossos para nos redimirmos dos pecados. se isto nao é supressor.... será que nos teremos de nos basear numa doutrina com a qual nao concordamos so por diferenças geologicas ou meras coordenadas??? não é o facto d ser oriental que nos chama... é a doutrina de libertação e de respeito para com os seres (independentemente do que sejam, homem mulher, animal)

se se baseiam na ocidental não vos censuro mas tentem entender ou abrir mais os olhos. Provavelmente não querem ver o que não é provado cientificamente mas grande parte do cientifico não está provado. Sabe-se simplesmente que faz bem e faz-se.. o porquÊ? ninguem sabe...
O Tarot, o zen, as mezinhas da avó clemilde... tiveram e por vezes têm razão de existir. e curiosidade das curosidades, cada vez mais voltamos ao tradicional por ver que a tecnologia e o quimico consegue por vezes fazer pior que melhor. (p.ex.: há plantas - st john wort) que consegue ter os mesmos efeitos que a mdicação antidepressiva, entre mil e uma outras. A acunpunctura é cada vez mais utilizada no ocidente por alguma razão! ou será porque os chi neses estão cá aos milhoes?? :) será moda??? mas a moda não dá resultados "cientificos"... a denominação absurda há alguns anos de centros energticos e de pontos de pressão estava ridicularizada há alguns anos... a verdade é que agora é considerado conhecimento cientifico. porquÊ? porque apesar d nao se entender têm resultados... há coisas que nem os metodos sistematizados (e dismorficos do "eu" na realidade) conseguem dismistificar. basta-nos a crenca daquilo que sentimos. o tarot? bem... se alguem que entendesse do assunto vos fizesse acreditem que até nisso acreditariam. O zen? perguntem ao miguel... eu ainda me fico pela teoria... :( o Reiki? so vos posso dizer que tive uma experiencia magnifica com o reiki e so sentindo na pele poderão dizer alguma coisa (nunca me hei-de esquecer). não neguem á partida algo que TOTALMENTE desconhecem! Agora se se fecharem totalmente no vosso mundinho... sejam cientificos, sistematizados e limitados... pois o metodo cientifico esta em declinio e se ele decair nao terão base de apoio... talvez aí não se focalizaram num so ponto mas abrirão mais os horizontes. há algo mais para lá daquilo que vemos. temos 5 sentidos por alguma razão! não será apenas por espirito de sobrevivencia! os animais subsistiram sem fazer 1/100 daquilo que já fizemos (infelizmente com uma grande cota resultando na nossa destruição progressiva).
e ficaria a falar eternamente...

Miguel força aí!!!!!!!!!! estou contigo!! ;)

Abraços
Resposta de Aline FIlipe em: 11-07-2006
Realmente isto está a precisar de um borrifos de água benta...

Sim, sim, Miguel. Tens razão. A tradição e a espiritualidade ocidental são demoníacas e tótós...

Vão todos a Abrantes, transformarem-se em seres pensantes, e passar a acreditar no shiatsu, no tarot, no zen, na astrologia, no yoga como via de acesso ao verdadeiro eu; no reiki para tratar as maleitas do corpo e da alma. E no Aikido com Ki a faíscar das pontas dos dedos, com o fantasma do Velho da Barbas por detrás do Tokonoma a incitar ao salto mortal. Sim, sim, isso é racional, sobretudo para quem recebe o dinheiro dos papalvos.

Quanto ao restante das parvoíces-vindas-da-áustria que continuas a debitar, do género:
"eu-sou-um-pequeno-ser-infecto-que-com-um-bocado-de-sorte-escapa-ao-i n ferno-e-vai-penar-no-purgatório", como descrição de um cristão ocidental... Nada a dizer...

"voluntariamente, celebrar a sua própria divindade rendendo-se ao parceiro de treino, no momento em que o saúda"; claro, foi por mafariquices destas que se inventou o inferno...

Realmente o que devemos é deixarmo-nos de cristianices e coisas do género, e embarcar nas primeiras duas ou três parvoíces que venham de longe, traduzidas do chinês ou do japonês ou de ambas, por um qualquer françês que as leu em inglês.

Claro, budismo, verdadeiro-eu, libertação à la carte, com o cuidado de não ferir susceptibilidades...

Dê dois dedos de conversa, liberte-se da má consciência e do ressentimento e mande a moral cristã para as urtigas!

E já agora, as outras morais também, que são coisas básicas, castradoras e antigas. Qual super-ego, qual o quê... Põe mais um bocadinho de óleo de essências de Bach e flutue no infinito da auto-complacência enquanto se massajam as costas.

E é pró Zé Povinho, pois, porque como se sabe, o povo é que sabe...

Como em tudo o resto, o Zé Povinho é a verdadeira Lâmina de Occam no que respeita a saber qual a melhor maneira de meter dinheiro ao bolso.

O Belmiro de Azevedo também acha isso. Quando quer saber A Verdade, pergunta ao Zé.
Resposta de Eduardo Tavares em: 11-07-2006
Antoine,
Hoje fiz pública referência à questão do chouriço-za, no final do evento federativo que decorreu em Almeirim. A decisão das entidades responsáveis foi retirar-te a licença de ensino e obrigar-te a peregrinar a Fátima enquanto o Eduardo te recita As Obras Completas de Alan Kardec (qé prá coisa ser igualmente má prós dois).
Resposta de Miguel Sendim em: 11-07-2006
E, já agora...

"Nunca compreendi o fascínio que as pessoas encontram nas doutrinas orientais relativamente ao apagamento do ego, à submissão, etc... Ou seja, nunca compreendi porque razão as pessoas acham piada a isso quando é oriental, mas quando é ocidental já dizem que são os padres a tentar controlar as pessoas ou são conspirações do Vaticano...." (Eduardo dixit)

As pessoas acham piada quando é oriental porque percebem que, quando é oriental, não se trata de "submissão" mas de tomar consciência de que "eu-sou-Deus" - e não, como no caso ocidental, de tomar consciência de que "eu-sou-um-pequeno-ser-infecto-que-com-um-bocado-de-sorte-escapa-ao-in ferno-e-vai-penar-no-purgatório".

A vantagem da versão oriental é que é libertadora também para o zé povinho, não apenas para os intelectuais com tempo para estudar as escrituras e meditar nos mistérios cabalísticos.
Resposta de Miguel Sendim em: 11-07-2006
Miguel,

Comentas algumas coisas que ninguém disse (ou pensou, pelo menos no meu caso), como se alguém as tivesse dito.

Mas vejo com agrado que as minhas referências ao chouriço assado e ao tintol não tiveram de ti qualquer reparo.

Uma vez que os teus reparos têm sido dirigidos essencialmente para os aspectos que reprovas, será abusivo pensar que simpatizas com a ideia (do chouriço e do tinto como oferendas a um qualquer kami)?
Resposta de António Galrinho em: 11-07-2006
Em particular para o Eduardo:

Acho perigosa, suspeita e reprovável, essa tua aproximação cada vez mais assumida à tradição judaico-cristã.
Resposta de Miguel Sendim em: 11-07-2006
Vocês cansam-me porque insistem em fingir não ver o óbvio.

O sentimento de "rendição" perante o Divino é infantil e imaturo, ainda que eventualmente reconfortante - "seja feita a Sua vontade", "os Seus caminhos são insondáveis", blablablabla.

"Libertação" não é só o libertarmo-nos das convenções humanas, é sobretudo o libertarmo-nos da tirania do Divino.

Quando falo da resolução da "confusão interna" através da rendição perante o Divino refiro-me à mente não-liberta que se encara como "inferior", "dependente", "contigente", e se "pacifica" entregando-se à protecção do Misterioso Desconhecido. Freud explica.

Um espírito livre ("liberto", "iluminado") não se "rende" (não "abdica") perante o Divino. Mas pode, voluntariamente, celebrar a sua própria divindade rendendo-se ao parceiro de treino, no momento em que o saúda.

Tudo isto é tão "cultura geral" que até irrita ter que escrevê-lo, sobretudo em resposta a personagens do underground aikidoka de um calibre como o de vocês ambos os dois.

Ciiiisca-sssssse ...
Resposta de Miguel Sendim em: 11-07-2006
Cansam, cansam...!!!

Cheirou-te a couriço assado e a tintol... ficaste desarmado, foi o que foi!
Resposta de António Galrinho em: 09-07-2006
Vocês cansam-me !!
Resposta de Miguel Sendim em: 09-07-2006
Se há ainda a possibilidade de colocar um chouriço no lugar do crucifixo (como disse a gaiata do BE), por que não colocar um chouriço no kamiza? Já agora um assador para o dito cujo (que bem pode substituir o incenso) e um garrafão de tintol.

Aliás, alguns mestres e monges e padres embebedam-se até à cirrose final. Será que o estado de bebedeira é um estado de apagamento do ego?

Oh pessoal, eu estou abrincar, hem! Mas é com brincadeiras destas que muitas vezes de descortinam respostas para algumas dúvidas. :-)
Resposta de António Galrinho em: 09-07-2006
Não se pode dizer que seja "tipo a pessoalizar". É mesmo a personalizar. Por isso é que eu digo: Miguel...Miguel...

E o problema não diz respeito à minhas pessoais confusões (que de resto não existem...) mas às tuas afirmações ditas tal como se tivessem algum fundamento...

Quando dizes:

A "rendição" perante o divino, o criador, deus, é muito fácil, porque não passa de uma rendição face à nossa confusão interna...

Pois, em nome de um qualquer pseudo-reich-psique-analismo, que já nem está na moda, pões em causa dois mil e quinhentos anos de cultura espiritual ocidental, quer cristã, quer judaica ou islâmica... Nada de especial...

Não que não possa ter algum interesse esse tipo de posição...

Trata-se de não ser oponível, tipo conversa de café, toda a tradição que é a nossa, independentemente de a ela aderirmos, a todas a outras que o não são.

Na verdade, cristãos praticantes, pouco seremos... Mas os japoneses também não são, na sua maioria, shintoístas praticantes (se é que isso faz algum sentido...). No entanto isso parece-me bem pouco para que eu me proponha a substituir a minha religiosidade coxa e amarfalhada, pela casca exterior de uma religião, que para além de tudo mais, não conheço.

Nunca compreendi o fascínio que as pessoas encontram nas doutrinas orientais relativamente ao apagamento do ego, à submissão, etc... Ou seja, nunca compreendi porque razão as pessoas acham piada a isso quando é oriental, mas quando é ocidental já dizem que são os padres a tentar controlar as pessoas ou são conspirações do Vaticano....

Se lessem menos Zen e mais Stª Teresa.....

Se eu achasse que estava um kami (como tu secretamente achas embora agoras vás disfarçando...) no kamiza, tinha que que ser um santinho, ou nosso senhor Jesus Cristo, ou a Sª de Fátima. Se calhar tinha que pôr no kamiza um cruxifixo, embora isso agora esteje proibido nas salas de aula...
Resposta de Eduardo Tavares em: 09-07-2006
Com ou sem kamis, com ou sem ueshibas, com ou sem nossas-senhoras ou santos-antónios... o que interessa acima de tudo é termos a consciência de que determinados espaços ou locais podem ser sacralizados.

Um espaço sacralizado não tem, necessariamente, uma conotação (directa) com religião. Um espaço sacraliza-se com a atitude de quem o habita e não com os bonecos que lá se colocam ou com os gestos mecânicos que por lá se fazem, embora os gestos formalizem e eduquem a atitude...

Em Lisboa existe uma igreja transformada em parque de estacionamento de automóveis. Fará sentido continuar a chamar "igreja" a esse espaço? Não me parece! Mas pode fazer sentido chamar igreja a uma barraca...

"Aquilo" que habita o espaço é, inevitavelmente, o que habita dentro de cada um.

Um espaço cheio de imagens de santos ou entidades religiosas não lhe garante, à partida, que ele seja sacralizado. Com imagens ou não, tem de haver uma ATITUDE interior compatível com a prática em causa.

Apesar da atitude precisar da forma (gestos, etiqueta, rituais), ela pode perfeitamente superá-las ou passar-lhe ao lado.
Resposta de António Galrinho em: 08-07-2006
Sei, por experiência própria, nalguns casos, e por fontes fidedignas, noutros casos, que há coisas que aparecem com a idade, e que outras desaparecem; umas afrouxam; outras intensificam-se.

Da "óbvia rigidez mental" que apresento não me tinha ainda apercebido, talvez por não ser tão óbvia nem tão rígida, nem tão mental. :-) É a primeira vez que me falam dela, pelo que fico especialmente agradecido.

Se fazer uma coisa diferente daquilo que seria de esperar é sinal de rigidez mental... vou ali, já venho...
Resposta de António Galrinho em: 08-07-2006
Ilustres palradores:

"tenho razões para acreditar..."
eh lá, eu não disse que acredito que o fantasma do Ueshiba entra na fotografia e fica ali a assistir à aula enquanto bebe um chá etéreo !!!

"os japoneses deixam..."
acho muito bem que deixem, por isso é que eu me sinto autorizado a chamar àquele local "kamiza" e a acreditar no que quer que seja - os japoneses deixam
e, além do mais, não esqueçamos que consta que no japão a tradição já não é o que era...

"confusão interna, blablabla..."
não vos quis chamar confusos a vocês os dois, assim tipo a pessoalizar e assim, mas parece que afinal toquei num ponto sensível, seus confusos !
a verdade é que a vossa óbvia rigidez mental, com o rol de ideias claras e definitivas que ostentam a propósito de tudo e de nada, só vem em apoio do que eu pretendia dizer: a rendição perante o divino é uma forma de aplacar a dúvida (dúvidas ---> confusão, capisci?)

vá, agora vão mas é meditar pró canto e não se esqueçam:
- apoio técnico, próxima segunda-feira;
- actividade em abrantes, a 22/Jul

um grande abraço deste vosso amigo
Resposta de Miguel Sendim em: 08-07-2006
Quanto à "confusão interna", não sei o que dizer uma vez que não me sinto confuso. Acho que me expressei de forma clara. Também não saberia comentá-la melhor do que fez o Eduardo. :-)
Resposta de António Galrinho em: 08-07-2006
Miguel...Miguel....

"tenho razões para acreditar na presença do kami nesse local"

Então agora tens antenas detectoras de kamis?

O japoneses deixam essas questões de crença a cada um e não se preocupam nada com o kami lá estar ou não. O kamiza é o local, por exemplo, para pôr as bandeiras, em demonstrações... E digo, especificamente kamiza, e não tokonoma...

Já quanto a:

A "rendição" perante o divino, o criador, deus, é muito fácil, porque não passa de uma rendição face à nossa confusão interna...

A confusão interna é algo que definitivamente te esforças por aqui expressar... É o resultado de anos e anos de shiatsu, reiki, zen à lá watts... enfim... orientalices... daqui a nada pões-te a fazer Yoga também e fundas a Federação Portuguesa do Diga Lá O Que Lhe Apetecer Que Nós Depois Encaixamos Lá Isso Num Sítio Qualquer...
Resposta de Eduardo Tavares em: 08-07-2006
A "rendição", quando saudamos, é sempre relativa a alguém, ou algo, que respeitamos profundamente e a quem, momentaneamente ou mais do que isso, nos entregamos por completo.

A parte mais enriquecedora (e também a mais complicada de sentir) quando saudamos não reside, contudo, na "rendição" em si, mas no acto de VOLUNTARIAMENTE nos rendermos.

A "rendição" perante o divino, o criador, deus, é muito fácil, porque não passa de uma rendição face à nossa confusão interna. É muito mais dificil -e proveitoso- experimentar esse sentimento perante viventes mais próximos, nomeadamente flores, formigas, moscas, tartarugas aquáticas e praticantes de aikido.
Resposta de Miguel Sendim em: 08-07-2006
O "momento de rendição do ego" não passa, necessariamente, pela saudação a alguém, pessoa, kami ou foto.

Entendo essa rendição do ego como um acto de si para si, de si para o divino, de si para a Natureza (com o que ela pode simbolizar de divino, também).
Resposta de António Galrinho em: 08-07-2006
Creio que tokonoma e kamiza são conceitos diferentes e por isso, desde que ambos sejam adequadamente respeitados, não acho que haja grande mal em separá-los.

Na Therapeia o kami-za ("local onde reside o kami") é materializado pela foto de O-Sensei e fica na parede oposta à entrada do tatami. Dirijo as saudações inicial e final de cada treino em direcção a essa foto porque tenho razões para acreditar na presença do kami nesse local, quando não limitar-me-ia ao "o-tagai ni ... rei".

O tokonoma (a mesa baixa, as armas, o incenso...), em contrapartida, fica para o lado direito relativamente a quem entra no tapete. Não é o espaço sobreelevado que a tradição japonesa determina, mas é um recanto nitidamente separado do tapete onde coexistem "coisas terrenas" esteticamente bonitas e simbolicamente importantes.

A diferença entre o tokonoma e o kamiza é que o kamiza é de facto a residencia de uma entidade real (o kami), enquanto que o tokonoma é um habitáculo para simbolos, coisas que não têm significado para lá do significado que lhes damos.

Se não acreditamos na presença do kami, ter um kamiza não faz sentido.

Aliás, o próprio momento de saudar não faz sentido, se não for sentido como um momento de rendição do ego.
Resposta de Miguel Sendim em: 07-07-2006
O que é que é oposto à filosofia do Aikido? Não percebi.
Resposta de António Galrinho em: 07-07-2006
ok eu sei que querias outras opiniões mas pegando na mesma expressão do Eduardo... Isso não é oposto á filosofia do aikido? devemo-nos despegar de nós mesmos ( se fosse para cultivar o ego concordaria contigo mas o objewctivo é EXACTAMENTE o oposto)

é minha opinião...
Resposta de Aline FIlipe em: 07-07-2006
Pode. Mas do tipo de culto em causa... cada um saberá do seu...
:-)
Resposta de António Galrinho em: 05-07-2006
Só para chatear...

"a saudação é, acima de tudo, um gesto que cada um faz a si mesmo"

Então isto não pode ser também um culto de personalidade...?
Resposta de Eduardo Tavares em: 05-07-2006
A melhor maneira de lembrar ou homenagear alguém é ler, ver, estudar e divulgar a sua obra.

Esta minha decisão nada tem que ver com anarquia ou desrespeito. No meu dojo, fazemos as saudações e o cerimonial de forma tradicional, chamamos as técnicas pelos seus nomes japoneses e vestimos keikogi e hakama.

Simplesmente não gosto de ver a fotografia no sítio onde habitualmente é colocada. Ela lá está, sim, mas numa parede lateral.

Quando disse que não sabia bem por que razão fazia isso, não estava a contar a história toda, afinal até sei de uma das razões: Não quero que as saudações se transformem num culto da personalidade, coisa que eu abomino.

Entendo que a saudação é, acima de tudo, um gesto que cada um faz a si mesmo, e não a alguém. A presença da fotografia de alguém em lugar de destaque perturba essa saudação para si próprio, tornando-a num gesto feito para outrém, que no caso da fotografia torna a coisa ridícula, já que se destina a alguém que não está presente fisicamente.

À luz da minha cultura e da minha sensibilidade acho isso ridículo. Assim como acho ridículo que cada stand de automóveis tenha uma fotografia do senhor Benz, e lhe façamos uma vénia ao entrar e ao sair, que cada sala de cinema tenha uma fotografia dos irmãos Lumière, ou que cada loja de electrodomésticos tenha uma fotografia do inventor do aspirador, da máquina de lavar roupa, da máquina de lavar loiça ou do micro-ondas.

A saudação a ou para uma fotografia pode, no inconsciente, tramar, sobretudo aos praticantes mais recentes, algumas armadilhas que podem deixar marcas. Não quero sentir que, de alguma maneira, terei contribuído para isso.

Há tradições que acho que devo respeitar, outras nem por isso. Outra com que não concordo é a venda avulsa de kote gaeshis, irimi nages, ikkyos e diplomas de graduação. Esse espírito de negócio torna-se mesquinho e contraria a própria filosofia que está por trás da prática.

Felizmente posso escolher o que a minha consciência me dita.
Mas gostava de ver aqui mais opiniões sobre o assunto.
Resposta de António Galrinho em: 05-07-2006
está-me a parecer que o António é revolucionário (e quase a tombar para o anárquico! :D também defendes que nao deviamos usar os keikogi e os tatami e o japonês no nome das técnicas?

porque não ter a fotografia do O-sensei enquadrado no kamiza? não será um modo de fazer com que ninguem se esqueça de quem deu os primeiros passos? "Se nos lembrarmos de quem está morto faremos com que este se torne imortal pois será reavivado pelas memórias". (algures eu li isto) Não discordo com a ideia da fotografia de O-sensei. Discordo mais que não haja... será como se de repente quisessemos esquecer as raizes. OK, não somos japoneses nem devemos ser mais japoneses que os proprios japoneses mas fazer com o aikido não se torne numa anarquia acho que é das melhores coisas a manter...

Abraços
Resposta de Aline FIlipe em: 05-07-2006